Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012

O Entroido na memoria


Desde o colectivo cultural Buril temos o prazer de apresentar-vos O Entroido na memoria, documentário áudio-visual realizado polo Buril em 2001. Com esta re-ediçom em formato digital, queremos recuperar este documento com a vontade de fazê-lo chegar aos vizinhos e vizinhas de Burela e a todas as pessoas interessadas nesta temática. Para além do valor afectivo e sentimental que com certeza terá para muitos burelaos e burelás, O Entroido na memoria constitui um documento de grande interesse tanto para o estudo da história local como para a etnografia e a historiografia galegas.

O Entroido na memoria nom é só um retrato do entroido da Burela de finais do século XX, mas também umha viagem ao entroido do passado, contado de viva voz polos nossos velhos e velhas. Aquel entroido popular, espontáneo, esmorgueiro e retranqueiro. O “entrudo chocalheiro” -como cantou o Zeca-, o dos excessos, da burla, do escárnio e do mundo ao revés. Em definitiva, o entroido tradicional, que o Buril quijo recuperar nos anos 80 e 90 do passado século, para que umha das manifestaçons mais genuínas da cultura galega nom caisse no esquecimento nem se visse desvirtuada polas alienantes modas do momento.

O entroido aldeao de outrora, o das carautas e disfarces artesanais a percorrer casas e corredoiras, tomava agora, da mao do Buril, forma de gincana polas ruas e bares de Burela, na que se realizavam as provas mais bizarras e extravagantes que podamos imaginar. Também se recuperavam tradiçons locais como a de “correr a auga”, que em palavras de Ricardo Pena, primeiro cronista oficial da vila, é umha das tradiçons mais ancestrais que partilham os povos marinheiros. Ao berro de “auga aquí”, @s participantes alertavam da sua presença e faziam um chamamento popular à molheira colectiva, estabelecendo umha nova ordem social, na que nom havia privilégios de género, classe social, ou de calquera outro tipo.

Mas a tradiçom também se renovava, e apareciam as comparsas que adaptavam a mofa e a burla populares à crítica social e política mais azeda. Deste jeito, o desfile de comparsas, convertía-se num foro público no que ridiculizar os poderes político, económico ou religioso. O entroido finalizava com o enterro da sardinha, no que a “corporaçom municipal”, eleita por legítima votaçom popular, acompanhava o defunto polas ruas de Burela. A comitiva completavam-na o crego, os gaiteiros e um grande número de vizinhos e vizinhas que ao som do infatigável pranto das choroas, desfilavam a passo lento qual Santa Companha para darem a última despedida ao entroido.

Assim é pois o entroido que podemos ver neste documentário e no que o Buril tanto colaborou. As pessoas que hoje conformamos o colectivo, queremos fazer o nosso humilde contributo ao conhecimento da nossa história recente e à consolidaçom da nossa memória colectiva, lembrando aquelas mulheres e aqueles homens que hai quase 30 anos sairom à rua para berrar alto e forte: “Auga aquí!”


Fevereiro de 2012.

Junta Regedora do Colectivo Cultural BURIL

Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012

Apresentaçom pública do Entroido na memoria


O xoves 16, quinta-feira, às 20:30 horas, terá lugar a apresentaçom pública do DVD O Entroido na memoria, vídeo-documentário realizado polo Colectivo Cultural Buril em 2001. O acto decorrerá na sala de conferências de Burela (antiga biblioteca) e nel projectara-se este documento audio-visual no que nom só veremos um retrato do entroido da Burela dos anos 80 e 90 do passado século, senom que também nos achegaremos ao entroido de pós-guerra contado em primeira pessoa polos seus protagonistas.

Com esta re-ediçom em formato digital, queremos recuperar este documento com a vontade de fazê-lo chegar aos vizinhos e vizinhas de Burela e a todas as pessoas interessadas nesta temática. Para além do valor afectivo e sentimental que com certeza terá para muitos burelaos e burelás, O Entroido na memoria constitui um documento de grande interesse tanto para o estudo da história local como para a etnografia e a historiografia galegas.

Desde o Buril, convidamos a todas as vizinhas e vizinhos a assistirem a este acto, especialmente a aquelas pessoas que participarom e participam activamente no entroido burelao.


Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012

Apresentaçom do Trasno no I.E.S. Monte Castelo


O próximo mércores 8 de fevereiro, quarta-feira, o Colectivo Cultural Buril apresentará a revista O Trasno no I.E.S. Monte Castelo. Desde este colectivo queremos fazer chegar aos centros de ensino de Burela esta publicaçom que com periodicidade bimensal foi editada polo Buril entre os anos 1985 e 1990 e que o passado ano via a luz numha reediçom em dous volumes.

Na apresentaçom, que achegará às moças e moços dos centros de ensino este documento imprescindível para o conhecimento da história da nossa vila, estará presente um membro da actual Junta Regedora do Buril ademais de dous dos promotores do Trasno e membros da Junta Regedora do Buril na etapa na que a revista se editou: Emilio González Legaspi e Manuel Nebril.

Esta reediçom d'O Trasno, gratuita para os sócios e sócias do Buril, está à venda nas livrarias para aquelas pessoas que queiram adquiri-lo ademais de contarmos com vários exemplares na biblioteca pública municipal e nos centros de ensino de Burela. Aquelas pessoas que tenham interesse na revista podem consultar os cinco primeiros números (Nº0 a Nº4) em formato de fácil leitura na internet.

Acima disponibilizamos o vídeo da apresentaçom pública da re-ediçom revista, que tinha lugar em Abril do passado ano no auditório da Casa da Cultura de Burela.

Sexta-feira, 23 de Setembro de 2011

Espectacular sucesso do III Aberto do Bonito

Vem de celebrar-se, no passado fim de semana, o III de Aberto do bonito. O sábado tivo lugar o primeiro aberto da temporada regular da Liga Nacional de Bilharda e o domingo disputou-se um torneio de bolos das modalidades "pungeiro" e "jove". De manhá tivo lugar um torneio para crianças e já na tarde houvo um torneio para adult@s.

Deixamos algumhas imagens deste III Aberto do Bonito.











Quinta-feira, 15 de Setembro de 2011

Já está aquí o III Aberto do Bonito!


Esta fim-de-semana terá lugar no porto de Burela o III Aberto do Bonito, torneio no que as e os participantes loitaram um ano mais polo prezado bonito do norte.

O sábado 17 desenvolvera-se o Aberto de Bilharda a partir das 16h00 no porto de Burela. Neste aberto participarám varias equipas da comarca na que é a primeira prova puntuável da tempada 2011-2012 do campionato de bilharda, organizado pola Liga Nacional de Bilharda.

O domingo 18 celebrara-se o torneio de Bolos Tradicionais. De manhá, desde as 11h00, as e os mais pequenos da casa poderam conhecer de perto o jogo dos bolos tradicionais na pista desportiva do parque Rosalia de Castro. Já na tarde, a partir das 15h00, terá lugar o torneio no porto.

O aberto do Bonito forma parte do programa de actividades organizadas com motivo da Semana europeia da mobilidade que se celebra em Burela do 16 ao 22 de setembro.

As pessoas interessadas podem participar coa equipa do Buril ou bem com equipa própria. Para qualquer informaçom do Aberto podedes contactar com nós no email ccburil@gmail.com.
Para participar em qualquer das modalidades só é preciso estar no lugar do Aberto meia hora antes do começo dos jogos.

Quarta-feira, 17 de Agosto de 2011

QUERES QUE CHO CONTE? de Palimoco Teatro

O próximo domingo apresentamos-vos a nossa próxima actividade na que Palimoco Teatro porá em cena a obra Queres que cho conte?

A representaçom terá lugar en Burela o domingo 21 de agosto às 16:30 na praça da Marinha (em caso chover seria na casa da Cultura).



A obra Queres que cho conte? está baseada numha selecçom de contos populares compilados num CD, e que serám narrados e musicados ao vivo para os nenos e nenas. Representaram-se nove contos com versons recolhidas na geografia luguesa, que som herdança de geraçons de narradores e narradoras das aldeias e vilas de Lugo e revivirám neste conta-espectáculo no que se mistura música, contaconto, teatro e dança.

Esta actividade está integrada no projecto cultural Cultura sobre Rodas que promove a Área de Cultura e Turismo da Deputaçom Provincial de Lugo, e será desenvolvida pola companhia de teatro profissional Palimoco Teatro em colaboraçom com o Colectivo Cultural Buril.


Domingo, 14 de Agosto de 2011

José António Lestao, (1893-1974). Referente do ensino em Burela

A seguir reproduzimos um interessante artigo de Bernardo Penabade sobre José António Lestao. O professor Penabade ofereceu umha palestra sobre esta importante figura da Burela do século XX nas Ias Jornadas de História Local de Burela, celebradas os passados dias 9, 10 e 11 de Agosto e organizadas polo colectivo cultural Buril.


JOSÉ ANTONIO LESTAO MANZANO (1893-1974), UM REFERENTE DO ENSINO EM BURELA

Durante a celebraçom das Ias. Jornadas de História de Burela organizadas polo Colectivo Cultural Buril tivem a responsabilidade de coordenar um colóquio com o que se pretendia descrever e valorar a ingente obra social promovida polo armador e filántropo José António Lestao Manzano (Morás, 1893-Burela, 1974). Sinto-me satisfeito de ter feito esta exposiçom em presença de parentes, amizades e vecindário -muitas das pessoas presentes no público tratárom-no e incluso se beneficiárom dos múltiplos logros das suas iniciativas-, porque uns e outros saímos satisfeitos da posta-em-comum com a que conhecemos melhor a figura que nos reunia.

Soubem da existência de José António Lestao como resultado dos trabalhos de documentaçom do “Modelo Burela”, concretamente seguindo as pistas do ensino da língua inglesa na localidade. Falaram-me dele com muito entusiasmo Glória do Corneta e Fina de Miranda, enfatizando a sua actuaçom humanitária como intérprete com as famílias das vítimas da II Guerra Mundial recolhidas polos pesqueiros locais nas proximidades da Estaca de Bares. Glória e Fina recomendaram-me acudir a Témis e Santiago (filha e genro de José António) para que me falassem dele e me permitissem conhecer em primeiro plano os documentos do seu legado. Assim foi feito, em boa hora.

Justo na medida em que observava a correspondência com o mestre Camilo Fernández ou que tinha nas minhas maos os livros e revistas com os que estudou e ensinou a língua inglesa, foi medrando em mim um sentimento de admiraçom por umha pessoa feita-a-si-mesma, que superou com brilhantez os obstáculos que se lhe apresentárom ao longo dos seus 81 anos de vida.

Integrante dumha família numerosa -foi o sétimo de oito irmaos-, sendo neno aprendeu as quatro regras com a ajuda do cabo Constantino do Campo e com 17 anos emigrou aos Estados Unidos, onde conseguiu emprego nas infra-estruturas rodoviárias da Califórnia. Na cidade de San Francisco estudou de jeito autodidacta o inglês, ao tempo que conheceu as teorias evolucionistas de Darwin e que se interessou por diversas artes, entre elas a fotografia e o cinema.

Já retornado (1926), obtivo a titulaçom de patrom de pesca e, junto com Eduardo Lestao (irmao), foi armador da "Manolita" e integrou-se no sector pesqueiro, em benefício do qual tentou aplicar os conhecimentos em matéria de infra-estruturas que adquirira em América. Durante a IIª República foi presidente do pósito local e impulsionou as obras do primeiro porto de Burela.

No segundo período de gestom, neste caso à cabeça da directiva da Confraria (1953-1957), gestionou a construçom das vivendas de protecçom oficial (as "Casas Baratas"), contribuiu decisivamente para a criaçom da Escola de Orientaçom Marítima (na qual tivo um papel tam destacado o seu colaborador Benigno Beltrán), defendeu a compra da Fábrica de Bravo (que salvou vários postos de trabalho do sector conserveiro) e capitaneou o projecto de edificaçom dumha nova lonja, justo onde estám hoje o original "parlamento e sede do governo" dos marinheiros reformados. Impressionante currículo, aqui resumido.

Transcorridos quase quatro decénios desde a morte, a José Antonio Lestao chegou-lhe a hora deste modesto reconhecimento público. Poucos haverá que o tenham mais merecido.

Bernardo Penabade Rei


Bernardo Penabade, acompanhado, de esquerda a direita por Piedad, sobrinha do "mestre D. Camilo", Glória do Corneta e Témis Lestao, filha de J. António Lestao.


JOSÉ ANTONIO LESTAO MANZANO. (Morás, 1893- Burela, 1974)

Referente do ensino em Burela. Precursor do Modelo Burela


PERFIL BIOGRÁFICO

1.- Família numerosa de Morás: foi o 7º de 8 irmaos.

2.- Infáncia e adolescência em Burela. Assistente à escola de Constantino do Campo (1900-1910).

3.- Emigraçom aos Estados Unidos (1910)

4.- Visita de reencontro familiar ao Uruguai (1913)

5.- Emprego no sector petrolífero (1913-1922)

6.- Emprego nas infraestruturas ferroviárias (1922-1926)

7.- Retorno a Burela. Armador da "Manolita"

8.- Presidência do Pósito (1931-1933): a construçom do porto

9.- Construçom da casa na rúa das Flores (193?-1937)

10.- Labor humanitário durante a IIª Guerra Mundial (1945-47)

11.- Presidência da Confraria (1953-1957)

- Reivindicaçom das Casas Baratas

- Criaçom da Escola de Orientaçom Marítima

    - Compra da Fábrica das Conservas Bravo

    - Edificaçom da lonja nova (actual Cruz Vermelha)

    12.- Retiro laboral (1959) e falecimento (1974)